quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos.

al berto

domingo, 13 de dezembro de 2009

2u

domingo, 22 de novembro de 2009

Acordar Perfeito

O acordar perfeito é assim doce e quente como um edredão como os teus braços. É Lânguido e tangente, luminoso como a manhã. É silêncio interrompido pela tua voz, é a tua voz a enroscar-se no meu corpo.

Manhãs de domingo, perfeitas, sem nada que as faça especiais. Apenas eu. Apenas tu.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Parabéns mamã! :)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

Os substitutos

Filmezinho cool com enredo à maneira sim sr!

Não há actores marcadamente brilhantes mas o argumento e os efeitos justificam e ver o filme. Gosto da política "salta cá para fora" :P
De 1 a 10 dou uns 7,5


  • Título Original: Surrogates
  • Intérpretes: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Ving Rhames
  • Realização: Jonathan Mostow
  • Distribuido em Portugal por: ZON Lusomundo
  • Género: Acção, Ficção Científica, Thriller
  • Ficha Técnica: Duração: 1h28mins | Origem: EUA
  • Site Oficial: http://chooseyoursurrogate.com/

Tea Pot


saves my day :)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

levaba ya varios fines de semana detrás de mí insistiendo en llevarme a comer, literal, “las mejores patatas bravas de Madrid”, pero por unas cosas o por otras, nunca encontrábamos el momento de acercarnos hasta el número 337 de la calle Alcalá donde queda Docamar. Por fin este domingo llegó el día: ¿te apetecen unas patatas bravas y una cervecita mientras vemos el futbol en una pantalla gigante? ¡Sí, sí, sí y mil veces sí!

En realidad cuando llegué allí, aparentemente un bar de barrio con dos plantas y un interior reformado, todavía no tenía claro si prefería que las patatas me parecieran de matrícula o se quedaran en un aprobado raspado, ¿qué por qué? Porque precisamente no quería que me pasara esto: todavía recuerdo el sabor de esas patatas en mi boca. Blanditas pero crujientes, doradas por fuera pero tiernas por dentro. Mmmm ¡Qué tarde tan sabrosa pasé! (y no me refiero solo a las patatas, pero ese es otro tema ;) ).


Siempre he sido de las personas que cree que uno debe dedicarse en cuerpo y alma a lo que mejor sabe hacer, sea lo que sea, y este ha sido, sin duda el caso de Docamar, una empresa familiar cuya fama ha traspasado fronteras gracias a su niña bonita: las patatas bravas. Dicen que el secreto de su éxito se basa en una buena clase de patata, el corte a navaja, un frito lento y una salsa casera muy trabajada, cuya receta se cuida con tanto recelo como la de la mismísima Coca Cola.

¿Sabíais qué? En Docamar cuentan con una persona que se dedica sólo y exclusivamente a pelar, cortar y freír los casi 2000 kilos de patatas que se consumen semanalmente. ¡Ahí es nada!. Pero como no solo de patatas bravas se alimenta el hombre, en Docamar también se preparan otro tipo de pinchos, tapas, raciones, arroces y menús del día, no menos caseros ni castizos como su plato estrella. La decoración, un tanto itinerante gracias a las contribuciones temporales del arte juvenil anónimo, también tiene su puntito. No les falta detalle, vamos. ¿Unas bravitas?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lisboa foi feita para ser descoberta em grupo, de prefência em boémia companhia. Hoje aqui, é A Taberna Ideal em Santos.

Chegados à Rua da Esperança 112 vimos de imediato que a casa estava já quase cheia. Desde logo bom indicador. Terça de Agosto em Lisboa e restaurante cheio ou só de fama ou a comida tem mesmo que ser boa.

A Taberna Ideal não é bem uma taberna no que toca ao seu ambiente e até mesmo estilo visual.

Imaginem-na mais (enquanto lá não vão) como a sala de estar da avó que quando esta vai à missa, o avô transforma em tasca p’rós amigos. Ai está. A Taberna Ideal. Entre mesas e cadeiras sem par, mármores e madeiras bem usadas e faianças entre a flor e o cavalinho eis que nos é apresentada a casa. A ementa, bem meus amigos (sim, que ali facilmente nos sentimos em casa de amigos), está frente aos vossos olhos, escrita pelas paredes à vossa volta.

Diz-nos a Tânia, que nos recebe, que por ali se prega o espírito da partilha e que para quatro à mesa nos aconselha uma tiborna, dois petiscos e dois pratos. Que assim seja então e para entrada venha assim uma tiborna de queijo de cabra com alecrim e mel.Tiborna de queijo de cabra com alecrim e mel Este tão esquecido appetizer(gostaram?) adorado em tempos pelas gentes do Sul do pais apresentou-se aos olhos com a mesma cara que ao paladar: Lindo.

Para a mesa veio ao mesmo tempo, servidos em dose abundante, os ovos mexidos com alheira da casa sobre farta fatia de pão. Saborosos os primeiros e não menos a segunda. Tudo no ponto (e nem sempre é fácil quando se misturam enchidos ao ovo). A mesa ainda sem espaço e já esperavam por nós as migas de camarão. Ainda que não as imagine ao balcão de uma qualquer tasca a acompanhar um copito de 3, aqui ficaram muito, muito bem. Eles estavam mesmo por lá…

Depois chegaram então os pratos principais. O rei da noite dava pelo nome de Arroz de Garoupa e Anchovas. .Tudo delicioso. As migas com a textura correcta e a o saborzinho a coentros e mar. Dizia-se por ali que o mais provável era pedir segunda dose de tão bom que estava..

O vinho alentejano e frutado, sem madeira. Perfeito em tão saborosa companhia - D. Rafael. Havia muito por onde escolher no campo vinícola e boa surpresa, muitovinho servido a copo. Venham mais casas Lisboetas a adoptar esta medida que todos nós agradecemos.

As sobremesas

Bolo de Cacau, Crumble de Maçã e Salame de Frutos SecosEstranhávamos não ver por ali qualquer referência às sobremesas. Bem procurávamos e, aparentemente, podíamos continuar a procurar… Uma vez mais a Tânia deu a dica:Bolo de Cacau ou Cheesecake de frutos silvetres … Fantásticos.

A prova dos nove, aquela que já aterroriza algumas casas menos dadas a coisas simples, o café muito, muito clarinho, em pires iguazinhos aos que havia em casa da minha avó!!. Eis que chega perfeito à mesa. E não há cá pacotinhos de açúcar que na casa da minha falecida avó também não havia dessas modernices. Uma bonboneira de vidro com açúcar amarelo que também adoça e não faz tanto mal.

Restaurante A Taberna Ideal
Tipo de cozinha: Portuguesa / Petiscos tradicionais com um toque urbano
Horário: De terça a sexta, das 19:00 às 02:00 – Sábado e domingo, das 13:30 às 02:00
Preço médio: 20€
Morada: Rua da Esperança 112-114, 1200-658 LISBOA
Telefone: +351 213 962 744
Pagamento: Numerário / ???

GPS: N38° 42.488 W09° 9.299 (Google / MapQuest)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Perfect simple moments

sábado, 24 de outubro de 2009


O momento mais libertador da minha vida foi em Londres,(…) estava eu a trabalhar numa loja de vinhos(…). Era um emprego de férias mas eu gostava de trabalhar lá. Sempre gostei de trabalhar rodeado por garrafas, é verdade. Mas o gerente era simpático e os clientes, sendo pessoas que não eram cegamente contra um copinho ou dois, também.
Um dia, às duas da tarde aparece lá o Chico Sande e Castro, que eu já não via há um ano. “Embora aí almoçar”, disse ele. O Chico, sendo um aristocrata, porta-se sempre como se estivesse em casa, em Portugal.
Como na Inglaterra não é costume ir-se almoçar às duas da tarde e eu já tinha gozado, há meia-hora atrás, o meu “lunch break” de meia-hora, fui ter com o gerente da loja e perguntei-lhe se podia saír durante uma hora e meia, para ir almoçar com este grande amigo meu que eu já não via há muito tempo.
O gerente explicou-me que não podia deixar-me sair porque ele estava aflito a escrever um relatório urgente e não havia mais ninguém para atender os clientes. Compreendeu e ficou com pena mas não podia deixar-me sair,
sorry.
O Chico disse “deixa lá, pá – eu apareço cá noutro dia”.
Só que ele estava a estudar em Brighton, no Sul da Inglaterra e eu estava em Manchester, no Norte e só por uma feliz coincidência é que estávamos os dois em Londres.
Para mais, estava um dia de sol.
Tirei o avental e disse ao gerente que ele é que tinha de desculpar, porque eu ia mesmo almoçar como o meu amigo. A conversa simpática rapidamente degenerou até o gerente anunciar-me que, caso eu saísse da loja, ele despedir-me-ia.
Aqui já o Chico se sentia mal por ter provocado esta situação e dizia “Ó pá, vamos antes jantar então, eu passo por cá.” E foi aí que ocorreu o momento libertador. E as três palavras mágicas foram “Que se lixe”. Despedi-me eu do gerente, agradecendo-lhe a maneira como sempre me tratou, e fui almoçar com o Chico. Durante os primeiros passos, enquanto o Chico ria-se e repetia “Este gajo é maluco!”, eu senti crescer-me na boca o maior sorriso que alguma vez tinha sorrido.
Percebi que a felicidade também se pode roubar. Eu tinha roubado um almoço com o meu maior amigo.
A grande alegria é descobrirmos que, em larga medida, somos nós os autores das nossas vidas. Podemos ser mentiroso; podemos ser tarados sexuais; podemos ser alcoólicos; podemos fugir dos problemas; podemos ser sempre frívolos; ou tristes.
Podemos ser inconsistentes. Num dia podemos ser pessoas de confiança e, no dia seguinte, não. E se, por acaso, quisermos ser boas pessoas, temos o grande prazer de sermos bons porque fomos nós que decidimos ser assim. É essa a liberdade que antecede todas as outras. Muito antes de haver liberdades oficiais, já os seres humanos podiam ser egoístas ou rancorosos. Antes de haver liberdade de expressão, qualquer pessoa podia dizer o que lhe apetecesse. Mesmo que o matassem depois, a coisa tinha sido dita e tinha sido ele a decidir dizê-la.
As pessoas esperam de nós que sejamos sensatos e saudáveis e bondosos. Mas isso é apenas o que eles querem; é um desejo; é uma opinião.
Mas, por muito sentido que faça, nós não só não somos obrigados a viver como eles querem, como somos livres de fazer o que quisermos.
Se as pessoas são nossas amigas aguentam-nos como nós somos e aceitam que não batemos bem as bolas e que fazemos merda.
A libertação daquele momento em Londres não foi estar-me nas tintas para aquele emprego: Foi ter podido escolher. As consequências do nosso almoço foram uma ninharia comparadas com a alegria que me trouxe.
Quase trinta anos depois, vivemos os dois em Portugal e quantas vezes vamos almoçar? Uma ou duas vezes por ano. E não é só o Chico. Tenho mais cinco grandes amigos, a começar pelo meu irmão, que quase nunca vejo.
A culpa é mais minha do que deles – embora eles também se aproveitem um bocadinho para se baldarem mais um pouco. Há um deles – O Pedro Rolo Duarte – com quem não vou almoçar só com enorme trabalho: mediante dúzias de mails a marcar, desmarcar e remarcar.
A moral da história não é que devíamos passar mais tempo com os amigos – claro que sim. Não, a moral é que os amigos continuam amigos apesar de quase nunca estarem juntos.
Porque os meus amigos aceitam a minha maneira de ser e de me comportar tal como eu aceito as maneiras deles. Não gosto; não compreendo; às vezes fazem-me raiva; às vezes entristecem-me; às vezes chocam-me. Mas que remédio tenho eu senão o azar de me terem calhado aqueles sacanas como amigos?
Foram esses os sacanas que me caíram no goto; é com eles que me divirto. Alguns até são boas pessoas, para que não se pense que só gosto dos sacanas.
Escolhemo-nos uns aos outros e, de um momento para o outro, podemos deixar de ser amigos. Sem essa liberdade; sem essa tristeza a pairar sobre a nossa amizade, a amizade ficaria vazia.
Continuamos a ser amigos mais o mais importante é que continuamos a querer ser amigos, porque é o que nos apetece. Almocemos ou não almocemos. A vontade de irmos almoçar, um dia destes, chega-nos perfeitamente. Não é uma expressão oca. Queremos mesmo ir almoçar um dia destes.
E isso é lindo, porque é livre.
Texto de Miguel Esteves Cardoso
in Playboy, Outubro 2009.


Roubei este texto que adorei de um blog amigo, vizinho.
Fez-me sorrir. Fez-me sentir livre. Eu tenho a sorte de ceder estas escapadelas constantemente. De saltar por cima do balcão de me escapar ao trabalho para fazer um piquenique a meio do dia ou comer gelado num dia de chuva, são momentos fugazes com amigos. Não importa nada se trabalho 16h por dia, ou se chove ou se corro para o ginásio ou para o curso. Quando nos move o prazer pelo que fazemos, rodeamos de pessoas de quem gostamos e nos apoiam, nem que seja a pregar um cortinado, sobreviver ao ataque do homem do gás ou na descoberta de um restaurante novo, de um sabor diferente.
Medo? Claro que sim, sempre fui uma menina assustada com a própria sombra e contudo desesperadamente arrojada e metida em aventuras :) enigmático? Certamente. Que importa isso, não temos de fazer sempre sentido, isso é para a literatura.
Gosto de encontros inesperados, desafios, sorrisos cúmplices, segredos e estar horas com amigos.
Gosto de me sentir bem e livre.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

You keep me UP :)

sábado, 17 de outubro de 2009

A actriz italiana Rosanna Schiaffino, que participou em dezenas de produções italianas e internacionais, morreu hoje em Milão com 69 anos.
Natural de Génova, Schiaffino começou por trabalhar como modelo, tendo entrado no cinema pela mão do actor cómico italiano Toto (Antonio de Curtis) em "Toto lascia o radoppia" (1956), de Camillo Mastrocinque. A par do cinema italiano, Rosanna Schiaffino participou ainda em produções externas como "Duas semanas na cidade" (1962), de Vincent Minnelli, e "Ro.Go.Pa.G" (1962), projecto dos realizadores Ugo Gregoretti, Jean-Luc Godard, Roberto Rossellini e Pier Paolo Pasolini. Na altura foi apresentada como um dos mais promissores talentos do cinema italiano, mas a sua carreira terminaria praticamente nos anos 70. Nos últimos anos, lutava contra um cancro da mama.

in TSF

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sleeping Beauty??

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bubbly


O Bubbly é uma Espumanteria, numa das zonas históricas mais emblemáticas de Lisboa, o Bairro Alto.

Podemos acompanhar a refeição ou degustação, com um ou mais Vinhos Espumantes que podemos escolher de uma carta invulgar, no que diz respeito a este tipo de vinhos (cerca de 40 referências – Portugal, França, Itália e Espanha). Especiais são também a Sangria de Espumante ou Champanhe, a Espumantirinha, os Kirs e os Bellinis. Se estiverem completamente perdidos, como eu, mais vale pedir a opinião ao empregado que vos dará uma verdadeira aula sobre o assunto e...meus amigos...o champagne é um Mundo! :D E como não se consegue beber tudo numa noite... o melhor será voltar.

A comida e o serviço são um mimo, mas vale sobretudo pelo paladar sofisticado e único dos nectares que vão provando e pela companhia.
Por isso, recomendo uma escolha criteriosa da mesma, pois sendo um restaurante de ambiente sofisticado com uma "adega" que nunca mais acaba tem de se conseguir manter a postura e simultâneamente beber até cair hihihi

http://www.youtube.com/watch?v=2PWfB4lurT4

Novo Escritório

Como tudo na vida, a mudança é constante. Também a nível profissional!

Hoje mudamos de escritório porque já não cabemos (novamente) no antigo. Assim sendo a equipa B2B volta ao Marquês de Pombal para novas conquistas! :)
Alex C, Ana R, Marco S, Teresa V, Henrique A, André M, André S, João R, Marina M.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E ao anoitecer


e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

al berto

Mousse de Maçã light

Para todos aqueles que passam a vida a lamber os dedos com mousses de chocolate, eis a vingança dos magrinhos com as manias das dietas aka corpos Danone! hihihi


Ingredientes:

6 maçãs reinetas grandes 2 claras de ovo 1 colher (sopa) rasa de açúcar 2 colheres (sopa) de água

Preparação:

Descascam-se as maçãs, tiram-se os caroços e cortam-se aos quartos. Colocam-se as maçãs num tacho com as 2 colheres de água e leva-se ao lume brando até estarem bem cozidas. Reduzem-se em puré com a ajuda da varinha mágica. Entretanto batem-se as claras em castelo, com uma colher de acúçar. Por fim, envolvem-se as claras com o puré de maçã ainda quente e leva-se ao frigorífico durante 1 hora.

domingo, 11 de outubro de 2009

Foi uma guerra claramente ganha pelo Partido Socialista. Na luta entre os gigantes do poder local, o partido de José Sócrates conquistou 28 autarquias ao PSD de Manuela Ferreira Leite, que apenas conseguiu tirar nove aos socialistas. É evidente que Manuela Ferreira Leite destacou as vitórias do PSD em Espinho, Faro, ambas ao PS, e em Felgueiras à independente Fátima Felgueiras.

Mas os socialistas têm imensos trunfos neste guerra de autarquias. A começar por Leiria, que foi sempre dominada pelo PSD, Trofa e quatro câmaras no chamado cavaquistão. É evidente que é sempre uma lança em África os socialistas ganharem em Vila Nova de Paiva, Castro D’Aire, Tabuaço e Mangualde. E os casos multiplicam-se em distritos normalmente dominados pelo PSD. Com surpresas óbvias, como é o caso de Castelo de Paiva, em que o célebre Paulo Teixeira, o autarca que viveu a tragédia de Entre-os-Rios, viu a câmara passar para as mãos de um socialista.

É evidente que o PS também tem razões para sorrir na sua disputa com os comunistas. Mais para Sul, em pleno Alentejo, o PS conquistou seis autarquias ao partido de Jerónimo de Sousa, incluindo uma, Beja, que nunca tinha saído das mãos do PCP. É por isso que no balanço final o PS conquistou 131 câmaras e o PSD 139, também à conta de uma grande vitória nos Açores com cinco ‘roubos’ aos sociais-democratas. Agora restam oito câmaras para o PS alcançar o PSD e passar a ser o rei do poder local.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um restaurantezinho perfeito para um jantar intimista e romântico. Acolhedor e com excelente comida, ambiente calminho a meia luz.
Fazem umas entradinhas com paté de atum de lamber os dedos e o cheesecake parece acabadinho de fazer pela avó. A sangria de champagne é o remate perfeito para regar palavras e gestos enamorados.

Fica mesmo ao lado do palácio de Belém, na Calçada da Ajuda e atrai a atenção pela sua fachada rústica e alegre. Vão até lá num qualquer dia de prazenteira molenguice.

Ementa: cozinhas angolana, brasileira, cubana e também portuguesa que está representada com o bacalhau com broa, o folhado de perdiz e o cozido, nos almoços de domingo. Outras especialidades são a riqueza de peixe (sopa envolta em massa folhada), massa preta com camarão e enchilada à marinera. Sobremesa a não perder o petit gateau de chocolate quente com gelado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Voos rasantes

m

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Hoje eu precisava de ti e tu vieste, ontem também.

Abri a gaveta e sentei-me a escrever como quem limpa o pó do piano. Serás tu aqui ou serei eu que me racho como um bolo da sorte meio vazio que se deixa parir um rasgo de poesia e destino.
Ris, dizes qualquer coisa e falas, falas, falas.
Tenho um monte de problemas a crepitar no lume inexistente da cozinha e tenho-te aqui à minha frente. Acho que te ouço, não tenho a certeza, é como ouvir uma melodia e esquecer-se de perceber a letra.
Se pudesse beijava-te.
Se pudesse ama-te.
Se pudesse voava.
Mas nada disso é real e a vida, ao contrário da literatura, tem de se parecer com o que se passa fora de nós.
Perdi-te o jeito. Caí para outro qualquer lugar onde as horas tem um compasso diferente, lento, calmo, adulto. Às vezes gosto às vezes desespero.
Ocorrem-me frases muito muito parvas do género "gosto de te ter aqui". Que idiotice dizer-se isto a alguém, penso...soa mal mas tem um significado bonito.
Estás aqui e isso é que importa, já não nos podemos perder, porque isso já fizemos e essa impossibilidade é um verdadeiro alívio.
Este é um dia normal, cheio de problemas, contas para pagar clientes a reclamar, mau tempo e outros dramas, mas aqui estás tu disponível, ligeira, no teu cantarolar peculiar... que se foda o azar e as outras merdices, tenho-te a ti.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Falling Rain

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Esta semana a segunda-feira é domingo :)

domingo, 4 de outubro de 2009

Pieces of weekend

mar, mar, mar

areia nos dedos dos pés
comidinha da boa
molengar
sollllllllllllllllllll
passear
miminhos
verão eterno a sul

quero lá saber dos feriados, hoje só quero carregar as baterias como se não houvesse mundo depois

terça-feira, 29 de setembro de 2009



O resultado final é que não era bem o mesmo :)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Team Building

A great day to work together :)

Vamos lá gerar valor.

Há quem tenha a chatice de se levantar de manhã para ir trabalhar, nós adoramos. Somos jovens arrojados, críticos a roçar o palerma e o brilhante nalguns momentos. Trabalhamos horas a fio em casa, no escritório, na praia, na esplanada. Onde quer que sejamos apanhados com wireless :D
Por dinheiro? Sim, também. Toda a gente tem as suas coisinhas para pagar, mas é muito mais que isso.
É o sentimento de vanguarda, de conquista, é como ser o Neil Armstrong e o Colombo da era moderna e nasce-nos assim um brilhozinho nos olhos no meio do stress, dos desatinos, dos projectos a derrapar e de tantas coisas que fazem o dia a dia.

A great day to work together!
Vamos lá gerar valor.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Festa Alemã em Lisboa

Uma festa de convívio, gastronomia e animação em ambiente bávaro.

Plataforma para convívio entre a população de Lisboa, comunidade local, empresários e personalidades da política nacional, indústria e cultura e as suas famílias. Comunidades alemãs, portuguesas e estrangeiras bem como com os estudantes das faculdades vizinhas.

Após o grande êxito da “Festa da Cerveja Alemã de2007”, e a pedido de várias pessoas e empresas que participaram no evento, os Jovens Empresários da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã e a Junta de Freguesia da Pena com o apoio logístico da AIMS decidiram organizar pela terceira vez a tradicional festa da cerveja em Lisboa.

O objectivo deste evento é promover o encontro de culturas e comunidades alemãs, portuguesas e estrangeiras, bem como dar a conhecer e partilhar as tradições alemãs.

Pretende-se igualmente apoiar as Aldeias de Crianças SOS em Portugal, Centro ABC REAL – ABA (crianças autistas) e obras de Solidariedade Social da Junta de Freguesia da Pena.

http://www.oktoberfest-lisboa.com/

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Happy Birthday, Sky!


Let's Party :)

Let's Have Fun:)
Let's Celebrate all night :)
Happy birthday, party girl!!!!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

One Life

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bem-vindo Rodrigo! :)


Para fazer dos teus sonhos realidade, primeiro tens de despertar.

Corina Crawford

terça-feira, 1 de setembro de 2009

À Bolina


Em termos náuticos, navegar à bolina ou bolinar é marear (ou seja, navegar) com vento afastado o máximo 6 quartas da proa. É uma técnica empregada por embarcações que consiste em ziguezaguear contra o vento, o que permite navegar por zonas onde o vento não é favorável.
wikipédia

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

I have a pink dream!

http://estado-invisivel.blogspot.com/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Going through...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


Construi uma casa para morarmos... pensei em nós nas coisas que temos espalhadas, como se tivesse demorado muito a juntar as conchas mais preciosas numa concha e as tivesse deixado cair num ralo, irrecuperavelmente.

Construi uma casa para morarmos e hoje passei o umbral e deu-me um aperto no coração.
Agora que já não existes tu, aqui, para que me serve isto, quem é esta pessoa que habita estas pareces, que é feito da vida que devia aqui haver?
...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O amor encontra-se nos detalhes, mas pequenas coisas, nos mais impercetíveis gestos.

Quem o procura como quem vai buscar um pacote de leite ao supermercado é capaz de ter dificuldade em encontra-lo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Love Issues





terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um bar delicioso en la calle castellana :) tem uns mojitos como nem en cuba los hay!!! de beber e chorar por mais...e cair par o lado hihiihih

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A menina dos gelados

procura companhia para doce travessura :)

Aos meus olhos

...há um espaço onde o mundo tem outra cor e outra idade.

Há coisas que mudam, o mundo muda, maos aos meus olhos há coisas que permanecem iguais.
Para mim haverá sempre a terra do nunca :)

domingo, 9 de agosto de 2009



http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Solnado

sábado, 8 de agosto de 2009

Mar de Agosto

Sabe bem entrar mar adentro, como se a vida fosse feita de ondas e rumor.

Sabe bem a neblina na pele fria, o sabor forte do café enquanto o sol roupe entre as nuvens. Agosto é praia, férias, calma, amigos, é este bocadinho de arrepio pela manhã e de cocktails gelados e doces noite fora.
Agosto faz bem e torna a vida muitooo mais leve.



sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tejo à Vista

A pseudo-ilha K Urban Beach abriu as portas e João Macdonald não teve de navegar muito para dar à costa.

Tenha calma. Você não tem filhos pequenos, são quase seis da tarde e não há razão nenhuma para se meter na confusão do trânsito. É alguém que já teve o bom senso de abdicar do carro? Então apanhe o comboio daqui a uma hora e meia. Vai lá ter a casa à mesma. Permita-se ao pôr-do-Sol lisboeta. Vá namorar. Marque a última reunião do dia num lugar onde a gravata fica mal. Acomode-se no K Urban Beach. Esteja rodeado de areia e água por todos os lados, mas na cidade. É no pontão do Cais da Viscondessa, a Santos, do lado do rio. Em cima do rio, uma praia urbana. Abriu na sexta-feira.

O o K Urban Beach é uma pseudo-ilha noctívaga nas águas do rio sem contactos visuais que denunciassem o apêndice terrestre. Conseguiram o efeito edificando sobre a estrutura do pontão do Cais da Viscondessa, à qual se acede por um passadiço por entre areias. São cerca de 500 metros quadrados com capacidade, em segurança, para 300 pessoas.

Tem dois bares, pista de dança e um serviço de refeições ligeiras – serviço este que, acima de tudo, está disponível para eventos especiais: o cliente pode contratar o K Urban para festas ou animações semelhantes, usufruindo do serviço de catering. Em torno, um espelho de água (antes dele, mesinhas e chaises longues sobre areia). Na assistência musical estão alguns da dúzia de DJs que trabalham para o mundo K. A musical festarola popular do costume, portanto.

A abertura do K Urban Beach explica-nos mais um bocado desta Lisboa nova, se atentarmos na forma como ela se recicla, morre e nasce em simultâneo nos movimentos nocturnos. O electrocardiograma lunar diz-nos menos sobre os comportamentos pós-Sol posto do que sobre o período “em que já tudo pode ser tudo aquilo que parece”. A altura é uma em que os agentes da cidade – os institucionais, os nem por isso e os de todo – tentam esclarecer, ou conceber, o que Lisboa será e virá a ser; e, acima de tudo, como Lisboa pode ser imaginada por todos e pelo Outro. Lisboa dos poetas? Do rio? Do Berardo? Dos vestidos cor- -de-rosa e dos pregões tradicionais? Isso, e Lisboa do K Urban Beach, projectado para definir um âmbito da urbe enquanto atracção internacional. Devida justiça à parte, a Paris Plage não é bem a mesma coisa do que uma ilha cool na mais deliciosa foz europeia.

Neste Cais da Viscondessa estão a Adega do Kais (“rodízio de comida portuguesa”), o restaurante-bar Kais e o Skones, a esplanada do anterior, onde também se dança. Bem perto, no sonante Pátio do Pinzaleiro, em Santos-o-Velho, existe a Taska (serve-se “bife, massa e bacalhau com natas” – tudo a pensar em jantares de grupo) e logo ao lado está o bar-discoteca Konvento. No eixo 24 de Julho são bem sabidos a Kapital e o Kremlin.

Tenha calma. Você não tem filhos pequenos, são quase seis da tarde e não há razão nenhuma para meter-se na confusão do trânsito de Lisboa. Vá beber um copo ao K Urban Beach. Já agora, aqueles calções de banho que tem de reserva na mala do carro podem dar mais jeito aqui do que nas águas de Carcavelos: se tudo correr bem, confidenciou-nos o director de comunicação do Grupo K, o K Urban conseguirá pôr a funcionar em breve uma piscina própria. Sim sim, uma piscina com água limpa de piscina, não de Tejo, dentro do bar. Esse Tejo que reflecte o dia à solta. Não esqueça os chinelos.

K Urban Beach. Cais da Viscondessa, Rua da Cintura do Porto de Lisboa. 21 395 7101. Todos os dias das 18.00 às 04.00.

in TimeOut

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Museus à Noite

06 e 13 de Agosto
Local - Vários - Eixo Ribeirinho de Lisboa

Iniciativa conjunta com Museus diferenciados da cidade que excepcionalmente abrirão as suas portas num horário sui generis, à noite, para o público ter uma diferente perspectiva dos espaços e ter a oportunidade de um programa cultural nocturno original.

Horário - 18h00 ás 24h00

Museu Colecção Berardo -
www.museuberardo.com
Forte do Bom Sucesso -
www.ligacombatentes.org.pt
Panteão Nacional
Museu do Oriente -
www.museudooriente.pt
Mosteiro dos Jerónimos -
www.mosteirojeronimos.pt
Museu de S. Roque -
www.museudesaoroque.com
Museu da água -
www.museudaagua.epal.pt
Museu da Marinha -
www.museu.marinha.pt
Pavilhão do conhecimento -
www.pavconhecimento.pt
Metro -
www.metrolisboa.pt

terça-feira, 4 de agosto de 2009

M. S. LOURENÇO


CAMILO PESSANHA
SOBE OS DEGRAUS DO PARNASO

I

Antes de tudo a Música.
Onde prefiro o tempo ímpar,
Mais vasto & mais solúvel no ar,
Sem nada nele que pese ou pose.
Passo por isso ao peito
O som das sílabas, na grande oitava.
Nada mais sublime que a frase da chuva,
Onde o Indeciso soa com o Preciso.


II

Pelos silêncios amigos da lua,
Elevada a espuma, a névoa
Com pontas de sol & diamante
Espalha os anéis do sal, até que a Poente
Trazem, em porte circular, as nuvens
Agora lentas, ao subir para a bruma do cais,
Para a espuma da areia,
O sol iluminado pela noite.


III

No tom calmo através do fumo,
Na onda lenta que o fim do dia solta,
A tarde vibra violeta & eu sigo
O grave & o agudo da chuva.
Seis sentidos para ascender
Ao encontro das harmonias da noite.
Só a ressonância delas junta o sonho
Ao sino & a flauta ao gongo.

in Nada Brahma
Morreu o poeta, fica a obra.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

domingo, 2 de agosto de 2009

"Que Portugal viu o elefante Salomão? Que caminhos percorreu, que rios teve que cruzar, em que águas se banhou, que aldeias o acolheram, que pedras, desde então, nos esperam?

Para responder a estas questões a Fundação José Saramago inicia uma viagem por aquela que poderíamos considerar a rota portuguesa de Salomão, desde a cerca de Belém, em Lisboa, até à fronteira com Espanha em Figueira de Castelo Rodrigo. " Vale a pena espreitar aqui:

sábado, 1 de agosto de 2009

A gosto :)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Farol do Cabo de São Vicente - Sagres


Maior do que nós, simples mortais, este gigante
foi da glória dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou, inóspito montado,
numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda
que ondas do mar e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;
gados nédios; colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros, outeiros
de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundância, amor, concórdia, Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias
conchegadinhas sempre ao torreão de ameias.
Cada vila um castelo. As cidades defesas
por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,
grimpas de catedrais, zimbórios de convento,
campanários de igreja humilde, erguendo à luz,
num abraço infinito, os dois braços da cruz!
E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,
em seu tuguriozinho alegre na montanha
simples vivia – paz grandiosa, augusta e mansa! -,
sob o burel o arnês, junto do arado a lança.
Ao pálido esplendor do ocaso na arribana,
di-lo-íeis, sentado à porta da choupana,
ermitão misterioso, extático vidente,
olhos no mar, a olhar sonambolicamente...
«Águas sem fim! Ondas sem fim! Que mundos novos
de estranhas plantas e animais, de estranhos povos,
ilhas verdes além... para além dessa bruma,
diademadas de aurora, embaladas de espuma!
Oh, quem fora, através de ventos e procelas,
numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas,
a demandar as ilhas de oiro fulgurantes,
onde sonham anões, onde vivem gigantes,
onde há topázios e esmeraldas a granel,
noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!»
E cismava, e cismava... As nuvens eram frotas,
navegando em silêncio a paragens ignotas...
– «Ir com elas...Fugir...Fugir!...» Ûa manhã,
louco, machado em punho, a golpes de titã,
abateu, impiedoso, o roble familiar,
há mil anos guardando o colmo do seu lar.
Fez do tronco num dia uma barca veleira,
um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira...
Manhã de heróis... levantou ferro... e, visionário,
sobre as águas de Deus foi cumprir seu fadário.
Multidões acudindo ululavam de espanto.
Velhos de barbas centenárias, rosto em pranto,
braços hirtos de dor, chamavam-no... Jamais!
Não voltaria mais! Oh! Jamais! Nunca mais!
E a barquinha, galgando a vastidão imensa,
ia como encantada e levada suspensa
para a quimera astral, a músicas de Orfeus:
o seu rumo era a luz; seu piloto era Deus!
Anos depois, volvia à mesma praia enfim
uma galera de oiro e ébano e marfim,
atulhando, a estoirar, o profundo porão
diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!

Guerra Junqueiro, in 'Pátria'

terça-feira, 28 de julho de 2009

De férias :)

Vou veranear! Até jazzzzz

segunda-feira, 27 de julho de 2009


"Kill all my demons, and my angels might die too."

domingo, 26 de julho de 2009

Monólogos da Vagina


Escrita em 1996 por Eve Ensler, ‘Os Monólogos da Vagina’ já foram apresentados em mais de 119 países. Baseada em entrevistas realizadas pela autora a várias mulheres, a peça conta histórias do quotidiano feminino, revelando intimidades, vulnerabilidades, temores e vitórias próprias deste universo.

O texto é irrevente, cómico, sério, didacta. Mistura abordagens e tons de discurso e faz-nos sentir bem. Bom seria que pudesse ser apresentado em todas as terras e terrinhas por este país fora para colocar as mulheres à vontade com o seu corpo, sem tabus nem medos. Mulheres que tanto recalcam o seu prazer e tão tardiamente o descobrem e mais tradiamento o partilham com os seus amantes. Todas as mulheres e homens deviam ver esta peça.

Deixo-vos uns excertos que ficam muito aquém da representação das actrizes, mas são uma pequena amostra do valor da peça.

A INUNDAÇÃO
[sotaque judeu de Queens]


As minhas partes baixas? Já não as visito desde 1953. Não, não teve nada a ver com o Eisenhower. Não, não. Lá em baixo há uma cave. É muito húmida. Descer até lá não é nada agradável. Acredite em mim. Uma pessoa fica agoniada. É sufocante. Dá enjoos. Há um cheiro a humidade e bolor. Ui! É insuportável. Cola-se à roupa.
Não, não houve um acidente ali em baixo. Não houve uma explosão nem um incêndio. Não aconteceu nada desse género. Não foi nada assim tão dramático. Aliás… bem, não interessa. Não. Não interessa. Não posso falar consigo sobre isso. Porque é que uma pessoa inteligente como a menina anda por aí a falar com velhotas sobre as suas partes baixas? Quando eu era rapariga, não era assim que nos entretínhamos. O quê? Deus do céu, está bem.
Houve um rapaz. Chamava-se Andy Leftkov. Era giro… bem, pelo menos eu assim pensava. Era alto, tal como eu, e eu gostava muito dele. Convidou-me para dar uma volta no seu carro…
Não lhe posso contar isto. Não posso falar sobre o que há lá em baixo. A gente simplesmente sabe que existe. É como uma cave. Por vezes ouvem-se ruídos lá em baixo. Ouvem-se os canos e certas coisas ficam presas… coisas e animais pequenos. É húmida e por vezes é preciso tapar as fendas. Porém, a porta está quase sempre fechada. Esquecemo-nos de que existe. Repare… uma cave faz parte da casa mas não a vemos nem pensamos nela. Mas existe porque em todas as casas é necessária uma cave. Caso contrário, o quarto seria na cave.
Oh, o Andy, o Andy Leftkov. Certo. O Andy era um rapaz bonito. Era um bom partido. Era o que dizíamos naquela altura. Estávamos no carro dele, um Chevrolet BelAir branco novinho em folha. Lembro-me de pensar que as minhas pernas eram demasiado compridas para o banco. Eu tenho as pernas muito compridas. Batiam no tablier. Eu olhava para os meus joelhos grandes quando ele me beijou de surpresa tal como nos filmes, na cena em que o rapaz abraça a rapariga e a arrebata. Fiquei excitada, muito excitada e, bem, houve uma torrente lá em baixo. Era incontrolável. Era como se uma corrente de paixão, um rio de vida, jorrasse de mim, das minhas cuecas, direitinha ao banco do seu Chevrolet BelAir novinho em folha. Não era urina e cheirava mal. Bem, para ser sincera, não me cheirava a absolutamente nada mas o Andy disse que cheirava a leite azedo e que eu estava a manchar o banco do carro. Eu era uma «rapariga esquisita e malcheirosa», dizia ele. Queria explicar-lhe que o beijo me tinha apanhado desprevenida e que normalmente eu não era assim. Tentei enxugar a torrente com o meu vestido. Era um vestido novo amarelo-claro e, manchado pela torrente, ficou muito feio. Sem me dirigir a palavra, o Andy levou-me a casa e, quando saí do carro e fechei a porta, também fechei a loja. Fechei-a à chave. Nunca mais se abriu. Depois, ainda saí algumas vezes com rapazes mas o receio de outra torrente deixava-me muito nervosa.
Eu costumava ter sonhos. Sonhos loucos. Oh, são disparates. Porquê? Porque eu sonhava com o Burt Reynolds. Não sei porquê. Nunca me entusiasmou muito na vida real mas nos meus sonhos… era sempre eu e o Burt. Eu e o Burt. O Burt e eu. Eu e o Burt saímos juntos. Fomos a um restaurante semelhante a tantos outros em Atlantic City. Um restaurante grande com candelabros enormes e milhares de empregados de mesa com coletes. O Burt dava-me uma orquídea para pôr ao peito. Eu prendia-a ao meu casaco. Ríamo-nos. Ríamo-nos muito, eu e o Burt. Comíamos cocktails de camarão. Camarões enormes e saborosos. Não parávamos de rir. Éramos muito felizes. Depois os nossos olhares cruzavam-se e ele puxava-me para si no meio do restaurante. Quando estava prestes a beijar-me, a sala estremecia, pombos esvoaçavam de baixo da mesa — não sei porque raio havia pombos debaixo da mesa — e surgia a torrente. Jorrava sem parar. E com ela vinham peixes e barcos pequenos e o restaurante ficava cheio de água. Burt estava ensopado até aos joelhos, com um ar terrivelmente decepcionado por eu ter feito das minhas outra vez, e olhava horrorizado para os seus amigos, o Dean Martin e outros tantos, que passavam por ele a nadar nos seus smokings e vestidos de noite.
Já não tenho estes sonhos. Desde que me tiraram praticamente tudo o que estava nas partes baixas. Retiraram-me o útero, as trompas, tudo. O médico quis armar-se em engraçadinho. Disse-me que era melhor deitar fora o que já não tinha uso. Mas descobri que afinal era um cancro. Tiraram-me tudo. De qualquer modo, quem é que precisa de tanta coisa? Não é verdade? É algo muito sobrestimado. Já fiz outras coisas. Adoro exposições de cães. E vendo antiguidades.
O que escolhia para ela? Que espécie de pergunta é essa? O que escolhia? Escolhia uma enorme tabuleta:
«Fechada devido a inundação.»
O que diria ela? Eu já lhe disse. Não é bem a mesma coisa. Ela não é como uma pessoa que fala. Calou-se há muito tempo. É um lugar. Um lugar onde ninguém vai. Está fechada, nos subterrâneos. Fica lá em baixo. Está satisfeita? Já falei consigo… arrancou-me as palavras. Fez uma velhota falar sobre as suas partes baixas. Está satisfeita agora? [Vira as costas. Depois volta-se novamente.]
Sabe, na verdade, é a primeira pessoa a quem contei esta história e sinto-me mais aliviada.

[…]

A MINHA VAGINA ERA A MINHA ALDEIA

A minha vagina era um campo verde com flores rosadas e claras, onde as vacas mugiam e o sol repousava, e que um meigo namorado tocava suavemente com uma pequena palha dourada.
Há algo entre as minhas pernas. Não sei o que é. Não sei onde está. Não lhe toco. Agora não. Já não. Desde então.
A minha vagina era tagarela, impaciente, tinha tanto para dizer, muitas coisas para contar, não desistia e não se calava. Ó sim, ó sim.
Desde que sonho que nela existe um animal morto cosido com linha de pesca negra e grossa. E o terrível cheiro deste animal morto não desaparece. A sua garganta foi cortada, sangra e suja os meus vestidos finos de Verão.
A minha vagina cantava as canções das raparigas, as canções tilintantes dos badalos das cabras, as canções dos agrestes campos no Outono, as canções da vagina, as canções da vagina que era o meu lar.
Desde que os soldados a trespassaram com uma espingarda grande e grossa. O cano de aço gelado cala o meu coração. Não sei se vão dispará-la ou empurrá-la até ao meu cérebro e girá-la. Entre eles, seis médicos monstruosos com máscaras negras enfiam garrafas dentro de mim. Vejo paus e o cabo de uma vassoura.
A minha vagina nadava nas águas do rio, nas águas límpidas que jorravam continuamente sobre as pedras queimadas do sol, sobre o clítoris duro como as pedras sobrepostas nas margens do rio.
Desde que ouvi a pele rasgar-se e guinchar, desde que fiquei com um pedaço da minha vagina na mão, uma parte do lábio que já não existe.
A minha vagina. Uma aldeia cheia de vida e húmida à beira do rio. A minha vagina era a minha aldeia.
Desde que homens que cheiravam a fezes e a carne fumada se revezaram durante sete dias e deixaram o seu esperma hediondo dentro de mim. Tornei-me um rio de veneno e pus e todas as colheitas morreram. Tal como os peixes.

A minha vagina era uma aldeia cheia de vida e húmida à beira do rio.
Eles invadiram-na. Chacinaram e incendiaram-na.
Agora já não lhe toco.
Não a visito.
Já lá não vivo.
Não sei onde fica.

;;