sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tejo à Vista

A pseudo-ilha K Urban Beach abriu as portas e João Macdonald não teve de navegar muito para dar à costa.

Tenha calma. Você não tem filhos pequenos, são quase seis da tarde e não há razão nenhuma para se meter na confusão do trânsito. É alguém que já teve o bom senso de abdicar do carro? Então apanhe o comboio daqui a uma hora e meia. Vai lá ter a casa à mesma. Permita-se ao pôr-do-Sol lisboeta. Vá namorar. Marque a última reunião do dia num lugar onde a gravata fica mal. Acomode-se no K Urban Beach. Esteja rodeado de areia e água por todos os lados, mas na cidade. É no pontão do Cais da Viscondessa, a Santos, do lado do rio. Em cima do rio, uma praia urbana. Abriu na sexta-feira.

O o K Urban Beach é uma pseudo-ilha noctívaga nas águas do rio sem contactos visuais que denunciassem o apêndice terrestre. Conseguiram o efeito edificando sobre a estrutura do pontão do Cais da Viscondessa, à qual se acede por um passadiço por entre areias. São cerca de 500 metros quadrados com capacidade, em segurança, para 300 pessoas.

Tem dois bares, pista de dança e um serviço de refeições ligeiras – serviço este que, acima de tudo, está disponível para eventos especiais: o cliente pode contratar o K Urban para festas ou animações semelhantes, usufruindo do serviço de catering. Em torno, um espelho de água (antes dele, mesinhas e chaises longues sobre areia). Na assistência musical estão alguns da dúzia de DJs que trabalham para o mundo K. A musical festarola popular do costume, portanto.

A abertura do K Urban Beach explica-nos mais um bocado desta Lisboa nova, se atentarmos na forma como ela se recicla, morre e nasce em simultâneo nos movimentos nocturnos. O electrocardiograma lunar diz-nos menos sobre os comportamentos pós-Sol posto do que sobre o período “em que já tudo pode ser tudo aquilo que parece”. A altura é uma em que os agentes da cidade – os institucionais, os nem por isso e os de todo – tentam esclarecer, ou conceber, o que Lisboa será e virá a ser; e, acima de tudo, como Lisboa pode ser imaginada por todos e pelo Outro. Lisboa dos poetas? Do rio? Do Berardo? Dos vestidos cor- -de-rosa e dos pregões tradicionais? Isso, e Lisboa do K Urban Beach, projectado para definir um âmbito da urbe enquanto atracção internacional. Devida justiça à parte, a Paris Plage não é bem a mesma coisa do que uma ilha cool na mais deliciosa foz europeia.

Neste Cais da Viscondessa estão a Adega do Kais (“rodízio de comida portuguesa”), o restaurante-bar Kais e o Skones, a esplanada do anterior, onde também se dança. Bem perto, no sonante Pátio do Pinzaleiro, em Santos-o-Velho, existe a Taska (serve-se “bife, massa e bacalhau com natas” – tudo a pensar em jantares de grupo) e logo ao lado está o bar-discoteca Konvento. No eixo 24 de Julho são bem sabidos a Kapital e o Kremlin.

Tenha calma. Você não tem filhos pequenos, são quase seis da tarde e não há razão nenhuma para meter-se na confusão do trânsito de Lisboa. Vá beber um copo ao K Urban Beach. Já agora, aqueles calções de banho que tem de reserva na mala do carro podem dar mais jeito aqui do que nas águas de Carcavelos: se tudo correr bem, confidenciou-nos o director de comunicação do Grupo K, o K Urban conseguirá pôr a funcionar em breve uma piscina própria. Sim sim, uma piscina com água limpa de piscina, não de Tejo, dentro do bar. Esse Tejo que reflecte o dia à solta. Não esqueça os chinelos.

K Urban Beach. Cais da Viscondessa, Rua da Cintura do Porto de Lisboa. 21 395 7101. Todos os dias das 18.00 às 04.00.

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