terça-feira, 4 de agosto de 2009
M. S. LOURENÇO
SOBE OS DEGRAUS DO PARNASO
I
Antes de tudo a Música.
Onde prefiro o tempo ímpar,
Mais vasto & mais solúvel no ar,
Sem nada nele que pese ou pose.
Passo por isso ao peito
O som das sílabas, na grande oitava.
Nada mais sublime que a frase da chuva,
Onde o Indeciso soa com o Preciso.
II
Pelos silêncios amigos da lua,
Elevada a espuma, a névoa
Com pontas de sol & diamante
Espalha os anéis do sal, até que a Poente
Trazem, em porte circular, as nuvens
Agora lentas, ao subir para a bruma do cais,
Para a espuma da areia,
O sol iluminado pela noite.
III
No tom calmo através do fumo,
Na onda lenta que o fim do dia solta,
A tarde vibra violeta & eu sigo
O grave & o agudo da chuva.
Seis sentidos para ascender
Ao encontro das harmonias da noite.
Só a ressonância delas junta o sonho
Ao sino & a flauta ao gongo.
in Nada Brahma
Marcadores: Poesia




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