domingo, 6 de julho de 2008
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro até se abrir num rasgo todos os sentimentos, esperas, silêncios, palavras e dores. A música, meu amor, a música, esta sim tua, falava de ti, pelos dedos de um piano negro, misterioso, majestoso. O tempo abriu-se, o medo calou-se, no escuro da sala escutava a música inebriante. Se tivesse pele, eras tu. Eras tu, o teu abraço doce e perfumado, terno e poderoso, os teus lábios de nenúfar e deusa, segredo e sussuro da própria essência do sublime, eras tu a entrar na minha alma a esventrar toda estas escarpas que me atiram para o abismo, eras tu a arrancar ao meu corpo cansado um bafo de vida na tijoleira fria, eras tu a prender-me, era o teu amor.
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro até se abrir num rasgo de luz na treva, um halo de elfos e fadas noutras histórias, noutras vidas adiadas e mortes suspensas em cada desilução e coração desfeito.
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro e as forças foram cedendo, as lágrimas irromperam da face. O auditório cheio, pareceu vazio, apenas a música, o piano, o pianista e nós, amalgama de gente colados à cadeia, entregues ao sublime, ao arrebatamento que apenas a arte consegue.
"Solo" um nome perfeito para uma melodia que nos arranca à presença dos outros e deixa apenas a sós connosco como se fosse uma superficie espelhada.
De cortar a respiração....
Marcadores: Caixinha de Música, Obrigado Amor, Saudade; Miss U;, Secrets, Tenderness




1 comentários:
Solo... por entre as teclas gastas pelas suaves mão do actor, génio pianista de espiríto indomável e olhar selvagem, apenas dominadas por cordas imaginárias que crepitam ao cheiro e ao toque do doce solavanco das pontas de seus dedos.
Poucos sabem o quanto o meu corpo vibra, ondula, contorce ao entardecer do piano... Obrigado por me fazeres recordar*
Postar um comentário