sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Resolvemos mandar tudo às ortigas e começar de raíz, nem a casa escapou, por estes dias voam pedaços de estuque e parede pelo ar, há um pó fininho que nos faz espirrar, há uma cratera no lugar da banheira, as divisões parecem uma recriação de uma zona de bomberdeamento e andamos em busca exaustiva de material, tipo missão hihihi
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domingo, 6 de julho de 2008
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro até se abrir num rasgo todos os sentimentos, esperas, silêncios, palavras e dores. A música, meu amor, a música, esta sim tua, falava de ti, pelos dedos de um piano negro, misterioso, majestoso. O tempo abriu-se, o medo calou-se, no escuro da sala escutava a música inebriante. Se tivesse pele, eras tu. Eras tu, o teu abraço doce e perfumado, terno e poderoso, os teus lábios de nenúfar e deusa, segredo e sussuro da própria essência do sublime, eras tu a entrar na minha alma a esventrar toda estas escarpas que me atiram para o abismo, eras tu a arrancar ao meu corpo cansado um bafo de vida na tijoleira fria, eras tu a prender-me, era o teu amor.
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro até se abrir num rasgo de luz na treva, um halo de elfos e fadas noutras histórias, noutras vidas adiadas e mortes suspensas em cada desilução e coração desfeito.
E do fundo do corpo veio um soluço e depois outro e outro e as forças foram cedendo, as lágrimas irromperam da face. O auditório cheio, pareceu vazio, apenas a música, o piano, o pianista e nós, amalgama de gente colados à cadeia, entregues ao sublime, ao arrebatamento que apenas a arte consegue.
"Solo" um nome perfeito para uma melodia que nos arranca à presença dos outros e deixa apenas a sós connosco como se fosse uma superficie espelhada.
De cortar a respiração....
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
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