quinta-feira, 10 de julho de 2008

Love Story and other songs

Há histórias de amor que começam com borboletas na barriga, outras que começam com a imagem de casa e família, outras começam lentamente e vão ganhando forma, outras são imediatas e arrebatadoras. Em todas falamos do início, do “passados uns anos”, do que fomos, dos projectos, das memórias, dos bons e dos maus momentos. Há dissabores e o vencer de barreiras de carácter, de perspectiva, de acomodações.
No dia em que falamos de amor pela primeira vez, garanti que seria feliz.
No dia em que falamos de amor pela primeira vez pensei que o ia encontrar e viver feliz para sempre. Sem receita, só convicção. Mas o amor não se compadesse de insensatez e imprudências. O amor exige muito mais que traços leves bonitinhos que a paixão frívola hiperboliza. O amor é mais do que isso.
Senti o teu olhar. Olhar de quem me conhecia, sem que tivesse tido de falar muito. Tu conheceste-me por dentro até à escuridão insondável da alma, até ao rasto luminoso do sonho e do coração.
Depois, chegariam momentos menos brilhantes. Com eles chegou o adeus. A dor, as lágrima,as cicatrizes, o medo, a consciência, a perda, as coisas reais e lúcidas. O amor é real. Sem perceber lutei contigo. Lutei até superar qualquer limite meu. Eu, que a única coisa que queria era não te perder.
A mais bela história de amor está dentro de mim e de ti, construída a pulso, tantas vezes a custo e a sangue. Antes não havia brigas, nem atritos nas minhas certezas e por isso os tropeções. Havemos de discutir tudo desta vez. O amor exige-nos a verdade e a nudez. Sei agora que o amor ganha forma na nossa mão e que somos responsáveis por ele a todo o momento. Sei que o meu vestido preferido são os teus braços, sei que vou vencer todas as barreiras excepto a do tempo perdido.
Ter os meus braços à minha volta, sentir o puxão que me arranca da queda, ouvir em alta voz o obstáculo e sem hesitação saltar-lhe por cima.Apurei as minhas certezas. Reencontrei o meu razoável, a minha leveza.
Reencontrei-te e senti-me inteira outra vez. Diferente. Maior. Diferente de mim antes e de ti agora. Diferentes e entrelaçadas como tranças de meninas reguilas. E era ainda eu. Eram ainda as minha mãos, o meu cheiro, talvez ainda mais doce, era ainda o meu desejo, era ainda o meu sorriso, era ainda a minha batida, era ainda a minha poesia, era ainda o meu mar, era ainda a minha dança, eram ainda meus os picnics e os retalhos, eram ainda os meus olhos, o meu corpos sedoso, a minha alma.Pintei a pele branca de vermelhos e de roxos e de violetas e de rosas e de dourados e de prateados. Escolhi flores campestres, agrestes para perfumar a nossa mala de viajante segura do conteúdo da levar e foi assim que sai à procura de nós outra vez.

1 comentários:

Unknown disse...

Já coloquei a capa transparente para qualquer pingo mais atrevido que venha do céu.
Já coloquei bolachinhas de maçã e canela na bolsinha para a merenda não vá a fomeca apertar.
Já calcei os sapatinhos dourados mágicos que me ofereceste para dançar.
Já me penteei 5 vezes e compus o vestido.
Agora é só caminhar.
Dás-me a mão? Não tenho medo do escuro, mas sei que tu tens.