sexta-feira, 29 de agosto de 2008

DA DOR



AVANÇAR SEMPRE, DE BRUÇOS DE RASTOS A CUSTO A ESPAÇOS AVANÇAR SEMPRE COM AS MÃOS EM SANGUE, O ROSTO EM SANGUE O CORAÇÃO DESFEITO. NÃO PARAR NÃO DESISTIR NÃO.
HÁ ECOS NA MINHA CABEÇA QUE VÊM DE LONGE. doi-me a cabeça. UM CERRAR DE PUNHOS, MORDER OS DENTES, FAZER PROMESSAS DE PERSISTÊNCIA NO ESCURO. NINGUÉM SABE, NINGUÉM PODE SABER. O QUE PARA SEMPRE NOS MUDA E NOS DESFAZ. O QUE PARA SEMPRE SOLIDIFICA NA ALMA. O NEGRUME. O PRECÍPIO. O ABISMO.

OUVE-SE CONTAR A HISTÓRIA, A TRISTE HISTÓRIA DO ENFORCADO

NA IGREJA VAZIA JAZIA O MORTO ABANDONADO À PRECES IMPURAS DE SEUS FILHOS. MAIS NINGUÉM. A IGREJA VAZIA. O PADRE QUE NÃO VEIO POR SE TER DESENTENDIDO DE DEUS AQUELE HOMEM QUE APRESSOU A SUA MORTE. DEUS PELOS VISTOS REJEITA OS SUICIDAS. DEITADO NO CAIXÃO DE FUNDO BRANCO. O MAIS BARATO QUE A DOR PERMITIU PAGAR. A MALA DE FLORES A SOLDO POR 0,50€ PORQUE NA MORTE TUDO TEM UM PREÇO.

não consigo chorar. doi-me a cabeça como se fosse rebentar. tenho um novelo no lugar do coração. Tenho a dor engasgada como quando vamos a engolir e a comida não desce.

NÃO VEIO NINGUÉM.

A MINHA IRMÃ CHORA, O MEU IRMAO CHORA, A MINHA IRMÃ CHORA, O MINHA MÃE CHORA. UMA VELHOTA QUE VEIO ACOMPANHAR O SENHOR DA FUNERÁRIA SOLTA UMA LÁGRIMA. SÓ EU NÃO CHORO. TENHO VONTADE DE CORTAR UM DEDO OU BATER COM A CABEÇA NUMA PAREDE PARA SENTIR QUALQUER COISA.

Há uma impressão A4 da cara ao lado corpo. O olhar é triste. É dos olhares mais tristes que conheci. Deve ser por isso que a felicidade se desarredou tanto.
Foi militar, foi magnata, foi magnânino. Foi retornado, bêbado, irado, mendigo, louco, foi o marido que ninguém quiz ter, o pai que uns perderam e outros desejaram não ter.

Desejava que tivesse sido diferente para ti e para mim. Desejava que me tivesses dado colo e posto de castigo. Desejava que me tivesses ensinado a ler ou me tivesses comprado aquela bicicleta que eu namorava na vitrine da loja. Desejava que soubesses o dia do meu aniversário e me fizesses festas no cabelo e contado histórias. Desejava que me tivesses ensinado a não ter medo do escuro ao invés de seres o medo e o escuro. Desejava ter sabido amar-te e que tivesses amado. Que soubesses o que o amor faz de nós, que tivesses sentido orgulho nos teus filhos e gozado a vida com o riso. Gostava que me tivesses feito rir. Gostava que tivesse sido diferente para nós, pai, gostava que tivesse sido diferente para nós, mas os nossos desejos não tornam reais as coisas. Não me despedi de ti com um beijo, desculpa, mas não fui capaz. Não sei se foste para outro lado, se és apenas esse corpo que vi cobrir por um palmo de terra. Não chorei, mas foste tu que me ensinaste que não se pode ter fraquezas. Foste tu que me ensinaste a chorar. Lembro-me de te ir buscar o tabaco. Lembro-me de ti a cozinhar, cozinhar entretia-te, também tenho jeitinho sabes, deve ser de família. Não sei que te diga, deixamos ter que nos dizer. Lamento. Lamento por ti e por mim, há muito tempo que morremos os dois.

Não sei o que sinto. Só sei que dói.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Há histórias de amor que começam com borboletas na barriga, outras que começam com a imagem de casa e família, outras começam lentamente e vão ganhando forma, outras são imediatas e arrebatadoras. Em todas falamos do início, do “passados uns anos”, do que fomos, dos projectos, das memórias, dos bons e dos maus momentos. Há dissabores e o vencer de barreiras de carácter, de perspectiva, de acomodações.
No dia em que falamos de amor pela primeira vez, garanti que seria feliz.
No dia em que falamos de amor pela primeira vez pensei que o ia encontrar e viver feliz para sempre. Sem receita, só convicção. Mas o amor não se compadesse de insensatez e imprudências. O amor exige muito mais que traços leves bonitinhos que a paixão frívola hiperboliza. O amor é mais do que isso.
Senti o teu olhar. Olhar de quem me conhecia, sem que tivesse tido de falar muito. Tu conheceste-me por dentro até à escuridão insondável da alma, até ao rasto luminoso do sonho e do coração.
Depois, chegariam momentos menos brilhantes. Com eles chegou o adeus. A dor, as lágrima,as cicatrizes, o medo, a consciência, a perda, as coisas reais e lúcidas. O amor é real. Sem perceber lutei contigo. Lutei até superar qualquer limite meu. Eu, que a única coisa que queria era não te perder.
A mais bela história de amor está dentro de mim e de ti, construída a pulso, tantas vezes a custo e a sangue. Antes não havia brigas, nem atritos nas minhas certezas e por isso os tropeções. Havemos de discutir tudo desta vez. O amor exige-nos a verdade e a nudez. Sei agora que o amor ganha forma na nossa mão e que somos responsáveis por ele a todo o momento. Sei que o meu vestido preferido são os teus braços, sei que vou vencer todas as barreiras excepto a do tempo perdido.
Ter os meus braços à minha volta, sentir o puxão que me arranca da queda, ouvir em alta voz o obstáculo e sem hesitação saltar-lhe por cima.Apurei as minhas certezas. Reencontrei o meu razoável, a minha leveza.
Reencontrei-te e senti-me inteira outra vez. Diferente. Maior. Diferente de mim antes e de ti agora. Diferentes e entrelaçadas como tranças de meninas reguilas. E era ainda eu. Eram ainda as minha mãos, o meu cheiro, talvez ainda mais doce, era ainda o meu desejo, era ainda o meu sorriso, era ainda a minha batida, era ainda a minha poesia, era ainda o meu mar, era ainda a minha dança, eram ainda meus os picnics e os retalhos, eram ainda os meus olhos, o meu corpos sedoso, a minha alma.Pintei a pele branca de vermelhos e de roxos e de violetas e de rosas e de dourados e de prateados. Escolhi flores campestres, agrestes para perfumar a nossa mala de viajante segura do conteúdo da levar e foi assim que sai à procura de nós outra vez.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Before going to bed...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Lucky Charms


Não costumava ser uma pessoa que me acreditasse no factor sorte... sempre fui mais apologista das teorias meritocráticas, contudo ultimamente tenho vindo a questionar essa minha posição.
Hoje é realmente um dia muito importante para mim, pode significar a efectivação de alguns sonhos pelos quais tenho vindo a trabalhar, pode significar que afinal ainda há um bocadinho de meritocracia nisto tudo... Bem, mas como "mais vale prevenir do que remediar" o melhor mesmo é munir-me dos meus lucky charms, cruzar os dedinhos em posição de figas e desejar com muita força.

Today you are my lucky charm, wish me luck!

Love u

sábado, 5 de julho de 2008

Favores em Cadeia

Vi uma vez um filme realmente inspirador... na verdade não me lembro do título, mas lembro-me do conteúdo (a meu ver bem mais importante).

A história relata a vida de uma criança (que de criança tem muito pouco) que inicia uma corrente de favores em cadeia, com a qual consegue modificar drasticamente a vida daqueles que a rodeiam. Além do altruísmo em estado puro, este filme apresenta-nos diálogos desconcertante que nos fazem reflectir acerca da nossa atitude perante o mundo.
Convém apenas salientar o facto de o filme não ser fruto da imaginação do seu autor visto ser baseado numa histórica verídica.
Basicamente a teoria proposta é a de que se cada um de nós fizesse algo (o favor) realmente significativo para mudar a vida de alguém próximo, haveria mudanças profundas no mundo. Esse alguém próximo como forma de agradecimento teria apenas que fazer algo significativo para ajudar outra pessoa, dando assim seguimento à cadeia.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Try It


Testem lá a velocidade de reacção das vossas cabecinhas:P

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