segunda-feira, 23 de junho de 2008

Dá que pensar...




O facto de, em alguns momentos da história se ter assistido a uma obediência à autoridade inquestionável, levou Stanley Milgram a conduzir um estudo notável sobre o tema. É importante salientar a definição que Milgram atribui ao conceito de obediência: esta é uma acção manifesta que se operacionaliza no fazer algo a mando de alguém.
Milgram definiu uma situação experimental na qual o experimentador assumia um papel de autoridade ao orientar um participante (professor) a cometer actos que prejudicavam uma terceira pessoa (aluno), comparsa do experimentador. O objectivo principal do estudo consistia em compreender em que condições os participantes cumpririam ordens moralmente questionáveis.
A experiência exigia que o professor ensinasse ao aluno uma lista de pares de palavras e que punisse os seus erros através da administração de choques electricos cuja intensidade aumentaria proporcionalemente ao aumento das falhas.
Os resultados do estudo, ao contrário do que era esperado pelo próprio autor, mostraram que dos quarenta participantes, vinte e seis (65%) levaram o objectivo até ao fim administrando choques na ordem dos 450 volts (fatais). Embora 35% dos participantes não tivesse obedecido totalmente, todos administraram pelo menos 300 volts, apesar das reacções dolorosas manifestadas pelo aluno (que previamente havia sido instruído nesse sentido, visto que na verdade a administração dos choque não passava de uma encenação).

Quem me conhece sabe perfeitamente o meu fascínio por este tema, Apesar de vos apresentar de uma forma muito limitada e simplista a experiência realizada por Stanley Milgram vale a pena conhecer um pouco mais dos contornos da mesma. Por muito "batida" e desactualizada que esta esteja (como alguns "pensantes" defendem) ainda hoje dou por mim a pensar, e eu o que faria?
Vale a pena perder um bocadinho de tempo e pensarmos nos nossos limites, nas nossas fronteiras e barreiras, até que ponto estamos dispostos de abdicar da nossa liberdade e consequente responsabilidade para nos sentarmos no confortável banco da obediência. Afinal não fui eu que quiz... foi ele que mandou!

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