quinta-feira, 16 de julho de 2009




Na minha rua há restos de vidas
Restos de famílias, de mães desaparecidas,
e outras a que deram vidas às vidas que por ali param,
vindas de passagem e de passagem lá ficaram.

Na minha rua há restos de cartazes,
restos de eleições de Sim! ao aborto e outras frases
que eu não votei mas fiz pressão para que outro alguém votasse
minha consciência passa a vida num impasse.


Na minha rua há restos de mim por todo o lado,
espalhados pelo tempo e pelo espaço.
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte,
rasgados e atirados pelo ar!


Na minha rua há restos de namoros
de beijos e de abraços de zangas e desaforos
e eu não tive ninguém que se designá-se a odiar-me,
do meu mau feitio de preguiça, humor e charme.
Na minha rua há restos de noites
restos de garrafas bebedeiras e açoites,
gemidos disfarçados pela euforia dos turistas
a porta de boates estão baratas como ariscas
Na minha rua há restos de mim por todo o lado,
espalhados pelo tempo e pelo espaço.
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte,
rasgados e atirados pelo ar!

2 comentários:

Unknown disse...

Como comentei contigo, esta música parece-me fortemente inspirada nesta outra de Renan Luce - Les Voisines:

http://www.youtube.com/watch?v=dO2a5MNH0Us

O original dos originais, que inspirou este vídeo francês, pertence ao filme "Janela Indiscreta" de Alfred Hitchcock, de 1954, além de que as vizinhas de Hitchcock são bem mais giraças:

http://www.youtube.com/watch?v=1asLzd9eAbg

Mesmo assim, esta versão portuguesa está bem engraçada.
bjoca :*

Alexsander Wilkens disse...

http://inversiva.blogspot.com/2009/07/how-i-love-newly-weds_13.html

lembrou-me palavras tuas...